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Lesões e Afastamento do Esporte

 

Um dado importante encontrado que merece destaque é a localização das lesões dos tenistas e o tempo de afastamento no esporte.

Quadro 01 - Localização da freqüência das lesões (sobre um total de 244 lesões)

Local da Lesão

%

Músculo

23,8

Pé / Tornozelo

19,7

Cotovelo

16,8

Ombro

14,8

Joelho

12,3

Coluna

7,3

Mão / Punho

3,7

Outras

1,6

Total

100,0

Adaptado de Silva (2000)



Quadro 02 - Tempo de afastamento dos tenistas acometidos pelas lesões

Tempo de Afastamento

%

Não se afastou

17,6

De 01 a 07 dias

22,5

De 07 a 28 dias

36,9

Mais de 28 dias

23,0

Total

100,0

Adaptado de Silva (2000)

 

Chama a atenção o tempo predominante que oscilou entre 07 a 28 dias. Esse longo período de inatividade pode provocar um acentuado processo de destreinamento das valências físicas. Conforme Powers & Howley (2000) o ditado “use-o ou perca-o”é válido para atletas em caso de interrupção prolongada de treinamento. Os autores reportam que cinco semanas de treinos ocasionam um rápido e acentuado aumento das mitocôndrias musculares, porém, cerca de uma semana de destreinamento a perda pode chegar a 50% daquilo que foi adquirido. Em relação aos componentes da força muscular, McArdle et alii (1998) salientam que algumas semanas de destreino são suficientes para inverter as adaptações neurais e hormonais resultantes do treino da força. Neste sentido, Mujika & Padilla (2001) em recente revisão, reportam que a perda do desempenho geral de força em atletas bem treinados torna-se significativa após quatro semanas de inatividade.

Esses aspectos devem ser levados em conta pela equipe durante o período em que o tenista permanecer em recuperação, pois, o repouso prolongado derivado das cirurgias ou imobilizações, deve ser constantemente repensado e avaliado em termos efetivos quanto à minimização do tempo de retorno do atleta a sua atividade esportiva.


O papel do preparador físico no retorno à prática esportiva competitiva do tênis

O retorno do atleta à prática esportiva competitiva deve ser gradual e obedecer a critérios rigorosos de monitoramento e índices funcionais. Neste sentido, Battistella & Shinzato (1999) reportam os critérios para o retorno à atividade esportiva devem ser: ADM normal, força, potência e resistência muscular adequadas, capacidade cardiovascular, flexibilidade, coordenação e propriocepção.

Conforme Andrews et alii (2000) o programa ideal de reabilitação músculo-esquelético deve respeitar a individualidade do atleta, a patologia acometida, e conseqüentemente, aos problemas resultantes que ele está enfrentado. Também, é importante levar em consideração as demandas funcionais específicas da modalidade em que o atleta está inserido.

Na concepção proposta por La Chance (2000), uma das maneiras de se reduzirem os riscos de lesões durante a atividade esportiva é por meio do desenvolvimento equilibrado da musculatura flexor-extensora e de agonistas/antagonistas.

Na literatura, encontramos que alguns autores se utilizam de meios de reabilitação com protocolos acelerados, como também outros citam a necessidade de se empregar estratégias mais agressivas, visando diminuir o lapso de tempo no retorno do atleta em diferentes tipos de lesões e atividades esportivas (Andrews et alii, 2000; Burkhead & Rockwood, 1992; Gould, 1993; Kleiner et alii, 1996; Paulos et alii, 1981; Rodeo et alii, 1990; Shelbourne et alii, 1990).

Os quadros 04 e 05 apresentam a proposta de plano de adaptação músculo-funcional para tenistas lesionados nos MMSS ou MMII no retorno gradativo à atividade esportiva. As fases enumeradas seguem uma linha de raciocínio do mais simples para o mais complexo em termos de controle motor. Porém, isto não implica necessariamente que as fases devam sempre começar do número 01. O preparador físico avaliará a real situação da lesão e seguirá o roteiro a partir da fase em que o tenista se enquadra. Também, não existe tempo fixo para cada fase, podendo a mesma perdurar de semanas até alguns dias. Durante a implementação do plano, devem-se utilizar baterias de avaliação dos índices funcionais para garantir a integridade do atleta e permitir uma adequada passagem por cada fase do plano.

O plano de adaptação músculo-funcional somente se inicia após liberação médica e fisioterápica para o retorno à prática do esporte.

Quadro 03 - Plano de adaptação músculo-funcional para tenista lesionado nos membros inferiores (MMII)

Fase

Procedimento

01

Caminhada na piscina

02

Corrida na piscina

03

Bicicleta ergométrica

04

Exercícios em aparelhos

05

Corrida na esteira

06

Exercícios em aparelhos + corrida na esteira

07

Exercícios específicos na quadra: corridas curtas, saídas rápidas, mudanças de direção, diferentes deslocamentos e atividades que envolvam equilíbrio dinâmico e recuperado

08

Exercícios em aparelhos + exercícios específicos na quadra

09

Retorno gradual à prática esportiva

10

Retorno à prática competitiva

 

Quadro 04 - Plano de adaptação músculo funcional para tenista lesionado nos membros superiores (MMSS)

Fase

Procedimento

01

Exercícios livres na piscina

02

Exercícios com recursos materiais piscina

03

Exercícios gerais em aparelhos + resistência elástica

04

Exercícios gerais em aparelhos + resistência elástica

05

Exercícios gerais em aparelhos + exercícios específicos na piscina

06

Exercícios gerais com peso livre + exercícios específicos na piscina

07

Exercícios específicos na piscina + exercícios específicos na quadra

08

Exercícios específicos na quadra + jogo simulado

09

Retorno gradual a prática esportiva

10

Retorno à pratica competitiva

 

Conclusão

 

No esporte de alto rendimento como o tênis de campo, existe uma necessidade cada vez maior de integração dos diferentes membros que compõe uma equipe interdisciplinar esportiva. Através dessa importante aproximação na relação profissional é que se permitirão elucidar os aspectos inerentes a melhoria do desempenho e propiciar a manutenção do rendimento do atleta durante a temporada.

No caso do surgimento de um processo de reabilitação músculo-esquelético, o trinômio profissional médico-fisioterapeuta-preparador físico se faz presente como agentes de intervenção no sentido de habilitar o atleta no retorno à sua prática esportiva.

O preparador físico é o elemento responsável pela última fase do processo de reabilitação. Portanto, seus conhecimentos quanto à causa e tipo de lesão ao qual o atleta foi acometido se fazem necessário para uma eficaz aplicabilidade do plano de adaptação músculo-funcional.

 


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